Bom dia mamães e papais!

Estou bem próxima do limite que estipulei para o uso da chupeta que o baby Caio e eu gostamos tanto. (risos) Sim, ela foi maravilhosa e uma super companheira para acalmar meu filho, principalmente naqueles dias em que o cansaço bate de forma total, ou mesmo na rotina cansativa quando se tem um baby em casa sem babá e sem a família por perto para dar aquele ‘help’. Coloquei dois anos de idade como meta, porque acho que com a linguagem e o entendimento estabelecidos, fica mais fácil negociar, explicar e dizer o porque das coisas. Ele já entende, então vai ter que assimilar suas próprias frustrações sem precisar da chupeta e se tiver que chorar, vai chorar pelo período que achar necessário e terá a minha voz e o meu carinho como consolos. Parece que quando chega perto dos 2 anos você lida com várias cobranças: tirar a chupeta, tirar a mamadeira, tirar a fralda… Uiiiiii quanta coisa! Já defini o meu cronograma e vou começar pela chupeta. Uma coisa de cada vez e muita calma nessa hora. Não estou apostando com ninguém nenhuma corrida para fazer todas essas transições. Então vou respeitar o tempo do meu filho e o meu também.

E essa chupeta, tão querida, é sempre um tema de e-mails e pedidos de orientações dos nossos seguidores e leitores. Para nos ajudar, pedimos o super apoio do Espaço Sementinhas, creche/berçário/escola que tanto indicamos para vocês. Lá existe uma fonoaudióloga, a Carolina Morais Moura, que faz todo esse acompanhamento do desenvolvimento da fala e a chupeta tem sempre uma atenção especial.

Vamos ao texto?!
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A sucção de chupeta (sucção não nutritiva) tem sido motivo de preocupação para pais e profissionais que lidam com crianças as quais mantêm o uso deste tipo de bico como um hábito. O reflexo de sucção inicia-se a partir do quinto mês de vida intra-uterina e a partir do quarto mês de vida torna-se um ato volitivo, ou seja, de vontade do próprio bebê. Um bom exemplo do reflexo da sucção (sucção nutritiva) é quando a mãe aproxima seu peito à boca do recém nascido. A boca passa a ser um canal de entrada de informações e estímulos que junto com a língua regulam a respiração, sucção, deglutição e postura de cabeça e pescoço.

Esse hábito tem um papel importante no desenvolvimento emocional, ósseo e muscular da região oral, favorecendo o equilíbrio dessas estruturas.

A sucção da chupeta, muito arraigada em nossa cultura, sendo parte indispensável na lista de enxoval de várias famílias, é usada indiscriminadamente para acalmar seus bebês. A intenção não é recriminar o uso da chupeta, mas usá-la com prudência, não sendo a única alternativa na tentativa de acalmar a criança. É importante pensarmos no porque algumas crianças fazem uso excessivo desse recurso? Ela precisa estar a todo momento com ela na boca? Poderia ser evitado? Quais as consequências do uso abusivo?

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Seu uso inadequado e prolongado pode causar uma série de problemas como desvio nas arcadas dentárias, na musculatura da face, inadequação da musculatura labial e alterações na respiração e na fala.

Dificuldades na fala/linguagem – O ato de sugar ou chupar mantém a boca da criança em uma posição pouco natural, dificultando o desenvolvimento dos músculos da língua e dos lábios. Além disso pode atrapalhar o processo de desenvolvimento da linguagem, alterando o modo como os sons são pronunciados e forçando a língua a descansar numa posição pouco natural (baixa e projetada para frente)

Alterações Dentárias – Crianças com o hábito de chupar constantemente os dedos ou a chupeta podem ter problemas relacionados à oclusão dentária, levando a deformações com o crescimento dos dentes frontais superiores e problemas na mastigação.

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Alterações Respiratórias – O uso da chupeta faz com que a respiração seja mais frequente pela boca (respiração oral), o que piora a elevação do palato (céu da boca), diminuindo o espaço aéreo dos seios da face e provocando desvio do septo nasal. A respiração oral pode levar à diminuição da produção da saliva, aumentando o risco de cáries, alteração de postura, sono agitado, com ronco, deixando a criança cansada, sem vontade de brincar, desatenta, contribuindo assim para dificuldades escolares.

Como a respiração nasal tem a função de aquecer, umidificar e purificar o ar inalado e isto não ocorre de forma adequada na respiração oral, temos maiores chances de irritações da orofaringe, laringe e pulmões, que passam a receber um ar frio, seco e não filtrado adequadamente, ocasionando consequências como as infecções de ouvido, rinites e amigdalites.

Texto: Carolina Morais Moura, fonoaudióloga do Espaço Sementinhas.